O discurso escravagista da elite brasileira
De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho
Quando assisto ao noticiário na TV ou quando leio as estatísticas nos jornais sobre o "desemprego em massa" dos trabalhadores domésticos, por causa da "PEC das domésticas", dou rasgadas gargalhadas.
Lembro que há pouco tempo o Correio Braziliense publicou uma reportagem sobre a dificuldade que algumas famílias estavam tendo em encontrar "Empregadas Domésticas", falavam até que os salários estavam "superfaturados" porque elas, as "domésticas", estavam migrando para outros empregos em função da melhoria do nível de escolaridade delas.
Quando uma pessoa paga uma van escolar para ir à Faculdade é simplesmente por uma questão de comodidade, essa pessoa não quer caminhar até à parada de ônibus, o carro a pega na porta de casa. Mas quando essa mesma pessoa quer ter a comodidade de não lavar uma louça ou varrer uma casa, não quer pagar o que esse serviço vale, por que será?
Porque a sociedade, de um modo geral, não libertou-se do sentimento escravagista colonial, perpetuado pelo capitalismo.
Lembro de uma postagem recente no facebook em que uma blogueira famosa, que se intitula progressista, reclamava horrores do pedreiro que havia contratado e que não compareceu ao serviço numa Segunda Feira qualquer. Não foi o fato de reclamar que me chamou a atenção, mas a forma como o fez, em nenhum momento cogitou a passibilidade de ter acontecido qualquer coisa que não fosse preguiça do trabalhador, chamou de irresponsável e tudo mais.
O fato é que não pensamos o outro como exigimos que o outro pense a nós.
Gonzaginha ficou com "pureza da resposta das crianças", eu fico com a genialidade do filósofo Milton Santos:
“A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos, quando apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une.”
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