30 de jun. de 2013

Me desculpem... Mas estas coisas não me representam!

Me desculpem... Mas estas coisas não me representam!

Por Nana Wilde

Apesar de não ter estado presente nas manifestações que tomaram conta do nosso país nestas últimas semanas, fiz questão de acompanhar todas com muita atenção, e também de ouvir a opinião das pessoas nas ruas, rodas de conversas, enfim, em todos os lugares. Como todos pudemos acompanhar, as redes sociais foram ferramentas importantíssimas de organização para as manifestações, e também para debates calorosos sobre diversos temas. Acho imprescindível que o povo, em particular o jovem esteja ativo, com sede de reforma, com perspectiva de mudança! Como já havia mencionado aqui anteriormente... No entanto, não posso deixar de comentar algo que vem me despertando uma certa preocupação. Hashtags como "O gigante acordou", "Vem pra rua", Avatares do filme "V" de Vingança, ensaios fotográficos em meio aos protestos, Vlogueiros que de repente viraram Cientistas Políticos e incitam o jovem a se revoltar contra a política do nosso país... Me desculpem... Mas estas coisas não me representam! Tanto quanto qualquer outro mecanismo que desvirtue uma revolução legítima conquistada na garra por milhares de estudantes, ou pessoas que tentam cooptar estas ações a fim de benefício próprio. Meus ídolos não se baseiam em marqueteiros da Fiat, nem faço referência alguma a uma propaganda de Uísque. Ídolos mesmo, que me fazem ir as ruas são as pessoas que "nunca dormiram", os verdadeiros heróis que mesmo sem pretensão de estrelismo acordam todos os dias e lutam por uma sociedade mais justa e uma política mais limpa! Orgulho mesmo eu tenho das pessoas que não estão postando fotos de multidões no Instagram, ou criticando o trabalho dos outros no facebook, mas sim dos que estão silenciosamente contribuindo para uma grande reforma na sociedade. Orgulho eu sinto dos meus professores que me ensinaram na escola como era importante ser honesta e trabalhar duro, estando sempre disposta a ajudar o próximo; Orgulho eu tenho dos meus pais, que mesmo trabalhando duro todos os dias, ainda arrumam tempo para me perguntar como anda a política da nossa cidade, todo santo dia. E orgulho eu tenho de mim, que não precisei ver milhões de pessoas nas ruas, a truculência da polícia, a má índole de determinado grupo de pessoas, nem de nada disso para perceber que o meu País precisava de mim, e que muito ainda deve ser feito; Que um governo não se faz apenas com seus governantes, mas sim com todos, juntos, como uma nação deve ser, e que a maior revolução é aquela que começa dentro de nós e em nossos espaços de convivência.

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