Carro movido a bagaço e palha de cana pode circular em 2014
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| Com nova tecnologia, Brasil poderá produzir 30% a mais de álcool sem aumentar plantio de cana |
Na metade do ano que vem, o bagaço e a palha da cana-de-açúcar irão se transformar em matéria-prima para a produção de combustível, conhecido no mercado como "etanol de segunda geração".
Atualmente, o etanol disponível nos postos de gasolina é obtido por meio da fermentação do açúcar contido na cana. O bagaço da planta é usado apenas por algumas usinas para gerar energia elétrica, e parte da palha fica na lavoura, como fertilizante para a terra.
Com esse reforço de matéria-prima, será possível elevar a produção total de biocombustível em 30% sem precisar aumentar o cultivo de cana-de-açúcar, calcula Robson Freitas, diretor de negócios em novas tecnologias do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Localizado em Piracicaba (a 160 km de São Paulo), é considerado um dos maiores institutos de pesquisa em cana-de-açúcar do mundo.
Depois de sete anos de estudo, o centro será responsável pela produção do novo biocombustível --que ainda não tem data definida para chegar aos postos. A produção inicial será de 3 milhões de litros de etanol de segunda geração (também chamado de celulósico) por ano, na usina São Manoel, localizada em município paulista de mesmo nome.
Preço ainda não foi definido; desempenho do carro não muda
Ainda é cedo para estimar o preço do novo biocombustível, diz Freitas, mas ele diz acreditar que será competitivo. "Certamente, não será maior que o etanol convencional, cotado entre R$ 1,60 e R$ 1,80 por litro", diz.
Segundo o professor Silvio Shizuo, da Fundação Educacional Inaciana (FEI), o etanol de segunda geração não tem chances de interferir no desempenho dos carros. "O combustível não vai exigir maior potência dos motores porque é similar ao convencional", diz.
Para Shizuo, a produção do biocombustível mostra a importância do país no reaproveitamento de matérias-primas disponíveis no campo. "E sem a necessidade de aumentar um hectare de plantio de cana", afirma.
André Cabette Fábio
Do UOL, em São Paulo

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