O Deputado Federal Stepan Nercessian, bate um papo com o Blog do Arretadinho
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| Stepan Nercessian: "Minha Paixão é o cinema" |
De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho
O Deputado Federal pelo PPS do Rio de Janeiro e ator Stepan Nercessian, conversou comigo na noite desta Terça Feira (8), uma conversa marcada, principalmente, pela informalidade.
Stepan contou um pouco sobre sua trajetória na carreira de ator e mencionou momentos que ficaram marcados em sua vida profissional.
Mesmo estando longe das telinhas, do cinema e do teatro, por causa de suas atividades como parlamentar, ele não está completamente afastado das câmeras. Além de escrever artigos para o jornal da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, Stepan participou recentemente das gravações de um curta metragem, dirigido por formandos de um curso de artes cênicas no Rio de Janeiro, "coisa que faço sempre que posso, como uma forma de apoiar atores iniciantes", confidenciou o nosso entrevistado.
Confira o bate papo com Stepan Nercessian:
Blog do Arretadinho: A pergunta clássica: quando foi que você iniciou a sua carreira de ator:
Stepan Nercessian: "Eu comecei aos 14 anos de idade".
B.A.: Na televisão?
S.N.: "Não, eu comecei fazendo cinema. Fiz cinema durante 3 anos, dos 14 aos 17.anos"
B.A.: E a partir dos 17 anos...
S.N.: "Eu migrei para a TV que, nessa época, ainda era em preto e branco".
B.A.: E a sua primeira participação em novela?
S.N.: "Foi a novela da Globo Ti Ti Ti e, em televisão, sempre trabalhei na Globo".
B.A.: Em que você gosta mais de atuar, TV, Teatro ou Cinema?
S.N. "Sem dúvida alguma em cinema, eu sou louco por cinema. Mas eu atuei muito em teatro também e o interessante é que o teatro é a maior escola para um ator, porque não tem aquela coisa da marcação técnica da TV ou do cinema, onde o diretor diz é isso e pronto, você só faz aquilo. No teatro não, cada apresentação é uma experiência completamente nova, você tem que montar sua personagem na hora e no outro dia a personagem não é a mesma do dia anterior, você tem que montar uma nova.
O teatro é o melhor instrumento que existe para uma pessoa se conhecer, se aceitar, conhecer seus limites e trabalhar em equipe, porque se você não respeitar o outro, a coisa sai toda errada.
Vou te dar um exemplo. Você está no palco do teatro com um monte de refletores na tua cara por 10 ou 15 minutos, de repente, Pow. Apagam-se todos de uma só vez, para mudar de uma cena para outra. O camarada fica cego, mas aí tu tem que correr para a outra ponta do palco, no escuro e já vai tirando a roupa ao mesmo tempo em que anda rápido, chega na marcação o roupeiro já está com a outra camisa na mão no ponto de vestir e você já chega com o braço esticado para enfiar na camisa e sai dali rápido abotoando a camisa para a marcação do próximo ato da peça. Imagina se o roupeiro esquece de pregar um botão que tenha caído....É uma bobagem? É não, só um detalhe desse pode fazer com que a coisa dê toda errada.
Mesmo tendo me ajudado a conhecer minhas limitações e ter me ajudado em me aceitar em muitos aspectos, eu prefiro o cinema, que é a minha paixão".
B.A.: Algum fato que, vira e mexe, você lembra?
S.N.: "Rapaz, tem sim. Eu e um grupo de amigos montamos um curso de teatro em uma comunidade no Rio. O objetivo era atrair os adolescentes em situação de risco, com envolvimento com o tráfico de drogas, entende?
Pois bem, tinham dois irmãos, um de 15 e o outro de 17 anos, que começaram a participar do curso. Um deles, o mais velho, já estava envolvido com traficantes da comunidade. Pois bem, com mais ou menos dois meses de participação a mãe deles me procurou e perguntou quem era o rsponsável por aquele curso, de imediato eu respondí que era eu e perguntei em que poderia ajudá-la.
A mãe dos garotos então me falou que a professora deles queria falar comigo, porque os dois filhos daquela senhora deram uma guinada de 360º no quesito comportamento na escola, desde que começaram a fazer o curso. Segundo ela, os garotos passaram a ser mais disciplinados, mais aplicados nos estudos e bem mais participativos nas aulas. Uma verdadeira revolução na vida daqueles dois rapazes.
Falei para aquela mãe que eu estava muito satisfeito em saber que, de alguma forma, nosso grupo contribuiu para uma mudança para melhor dos filhos dela.
Aquela mulher me olha nos olhos e disse que estava impressionada com essa coisa de teatro, com a disciplina, porque até então, ela achava que o pessoal de teatro era uma esculhambação generalizada.
Convidei-a para sentar e comecei a explicar a ela que não existe nada que exija mais disciplina do que o teatro.
No circo, onde se originou o teatro, imagine o trapezista dando um salto mortal e o aparador (o cara que vai segurar ele) não ter a disciplina suficiente de calcular o momento exato em que vai ter que segurar o trapezista...O cara cai. Além do mais, no circo, no teatro, se desenvolve uma relação de confiança muito grande, um no outro, se não for assim assim, já era.
Mas, respondendo a tua pergunta, este é um dos fatos que, vira e mexe, eu lembro e me emociono".
B.A. E o público de teatro, como é essa relação do ator com ele?
S.N. "Olha só, isso é outra coisa engraçada. Se você faz uma temporada de Terça a Sábado, o público não é o mesmo.
O público da terça e da Quarta, por exemplo, é diferente do público que vai ao teatro no Sábado a noite.
A pessoa que vai ao teatro no meio da semana, normalmente, só vai para assistir a peça.
Já a pessoa que vai ao teatro no Sábado, está em busca de lazer, um jantar depois da peça para comentar, uma baladinha depois do jantar também....Consequentemente as reações do público na hora da peça, também são diferentes. O que eu posso te dizer, sem me comprometer é o seguinte: O público que vai a um teatro no meio da semana, tem reações diferentes do público que vai assistir a mesma peça no Sábado (risos)".
B.A.: E a política, como anda a vida no Parlamento?
S.N. "É miuta correria. Existe uma lenda que os Deputados só trabalham dois dias na semana, a terça e a Quarta, não é verdade.
Nós trabalhamos muito nas comissões e nas bases. Mas é melhor a gente separar os assuntos, não acha?
Vamos marcar um dia para conversarmos só sobre política, combinado?"
B.A. Combinado. Muito obrigado, Stepan, por essa conversa agradável e despretenciosa, uma proza muito boa.
S.N. "Não seja por isso, Joaquim. Sempre que puder eu conversarei com você. Aproveito pra deixar um beijo e um abraço a todas as leitoras e leitores do Blog do Arretadinho. Abração"!

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