Hoje foi um grande dia para o Brasil. O leilão do campo gigante de Libra dá início a uma nova era.
Por Íkaro Chaves
em sua página do feiçibuqui
A luta dos brasileiros pelo direito de explorar seu petróleo vem de longe, desde os tempos de Monteiro Lobato. Apesar dos vaticínios das nossas elites entreguistas que diziam que nessa terra imensa não havia petróleo os brasileiros teimaram e teimaram tanto que acabaram achando uma das maiores reservas do mundo.
Todo mundo sabe que petróleo é importante, mas só para lembrar. Um dos motivos da crise dos anos 80 e 90 foi justamente a nossa dependência de petróleo. Naquela época a Petrobrás estava ainda engatinhando e não eramos auto suficientes, então foi só virem os choques de 1973 e 1979 para o milagre brasileiro virar pó, pois o país gastava muito de seus recursos para importar esse produto. O ex ministro Delfin Neto lembrou certa vez que um dos grandes responsáveis pelo país não ter quebrado na atual crise mundial do capitalismo, como de costume, foi justamente a auto suficiência na conta petróleo.
Mas vamos ao leilão.
1. Nem de longe o que ocorreu hoje foi uma privatização. Pelo atual modelo de partilha o petróleo pertence à união e a empresa vencedora do leilão é apenas uma prestadora de serviço que vai receber como pagamento uma parcela do óleo e do gás que retirar. Quanto vai ser retirado e para onde vai o petróleo é decidido pela união através da PPSA (Pré-sal Petróleo SA), empresa 100% estatal;
2. A Petrobrás será, por lei, a única operadora do pré-sal. Significa que o domínio tecnológico ficará conosco e que os trabalhadores que vão trabalhar lá serão brasileiros, empregados da empresa. Nada de centenas de yankees ou chineses dominando nossos mares. As empresas parceiras da Petrobrás, na verdade, atuarão quase como bancos. Vão investir capital e recolher lucros (o que é justo afinal), pouco influindo na parte operacional. Além disso a PPSA terá assento no conselho de administração do consórcio e poder de veto;
3. A Petrobrás terá 40% do consórcio. Isso significa que somado aos 40% que serão destinados à união mais a parte dos royalties a união mais a Petrobrás terão mais de 85% dos recursos do campo;
4. A Petrobrás poderia explorar sozinha o campo de Libra? Sim, poderia, tecnologia para isso ela tem mais do que ninguém. Mas a questão é: em que velocidade? Serão necessárias cerca de 18 plataformas, cada uma ao custo de bilhões de reais, fora oleodutos, gasodutos, barcos e muitos outros componentes, num investimento de centenas de bilhões de reais. Sem falar que Libra é só um dos campos do pré-sal, existem outros que somados serão maiores ainda que Libra e a nossa estatal sozinha seguramente não possui capital para fazer isso em curto espaço de tempo. Por isso a injeção de capital das empresas parceiras será muito bem vinda ao país;
5. Porque não esperar para discutir melhor o assunto no congresso? Nesse congresso conservador? Qualquer coisa que cair ali tem muito mais chance de piorar do qualquer outra coisa. Além do mais existem dois pontos a serem considerados: Primeiro, o país tem pressa, nossas escolas tem pressa, nossa indústria tem pressa para começar a produzir em massa para essa empreitada, nosso povo tem pressa para melhorar a qualidade dos serviços públicos. Segundo, não se sabe por quanto tempo o petróleo será o motor do mundo, a seguir a tendência de alta do produto é possível que em não muito tempo ele se torne tão escasso que sua utilização em massa se tornará inviável, então toda essa riqueza perderá seu valor. O Brasil precisa aproveitar logo essa janela de oportunidade, que pode ser a última.
7. Além da Petrobrás estar garantida como operadora e ser a maior acionista do consórcio, está garantido também o conteúdo nacional mínimo para os equipamentos a serem comprados. Essa é uma das maiores oportunidades do pré-sal, criar uma demanda gigante e estável para nossa indústria de alta tecnologia. O país poderá dar um salto tecnológico, além de gerar milhares de empregos de alta qualificação nas indústrias naval, siderúrgica, de eletrônica de potência entre outras.
Por essas e outras que esse é um dia histórico. Respeito os que são contrários, se protestam, protestam em defesa da nossa soberania e isso é digno de respeito, afinal, a experiência privatista de Collor e FHC nos deixou traumas. Mas para além de palavras de ordem e a prontidão em defesa da pátria é preciso ter também senso crítico para buscar a verdade nos fatos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário