13 de nov de 2015

Transposição vai levar água a 12 milhões

Transposição do São Francisco usa gravidade e bombeamento para levar água a 12 milhões

Mais de 12 milhões de pessoas beneficiadas em 390 municípios em Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, R$ 8,2 bilhões investidos, cerca de 10 mil trabalhadores envolvidos.
Os números fazem a integração do Rio São Francisco ser considerada a maior obra de infraestrutura para abastecimento de água da história do Brasil.

do Portal EBC

Prevista para terminar em 2017, a transposição do “Velho Chico” atende a uma demanda de recursos hídricos na região Nordeste do Brasil.

De acordo com dados do governo, o Nordeste possui 28% da população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água. Já o Rio São Francisco responde por 70% de toda a oferta de água da região.

A obra consiste, basicamente, em fazer com que as águas do Rio São Francisco cheguem a outros reservatórios de forma sustentável (ou seja, sem grandes impactos ambientais). Para tanto, a água percorre o trajeto de duas formas: por gravidade (o canal da obra tem uma declive de 3º) ou com a força de estações de bombeamento.

A sustentabilidade da transposição, no entanto, divide opiniões. Movimentos em defesa do rio alegam que o projeto poderia desequilibrar o ecossistema do local. O governo, por sua vez, garante que projetos de revitalização devem compensar possíveis impactos ambientais.

A obra de transposição do Rio São Francisco é dividida em dois eixos: o Norte, que vai do município de Cabrobó (PE) até Cajazeiras (PB) e tem 260 km de extensão, e o Leste, que vai de Floresta (PE) até Monteiro (PB) e tem 217 km. No Eixo Norte, a primeira fase das obras da Meta 1, que conta com a primeira estação de bombeamento (EBI-1), foi entregue no dia 21 de agosto de 2015. Já no Eixo Leste, a primeira estação de bombeamento (EBV-1) foi entregue no ano passado. A previsão é de que seja entregue a EBV-2 em 15 de outubro deste ano. Confira no mapa abaixo mais detalhes sobre cada ponto do projeto. Clique nos números para navegar:

A fonte: Rio São Francisco
O início do caminho das águas é o São Francisco. Com cerca de 2,8 mil km de extensão, o rio passa por cinco estados: Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Do “Velho Chico” até as primeiras estações de bombeamento, a água será transportada por gravidade. De acordo com o governo, serão retirados 26,4 m³/s (26,4 mil litros) do rio em períodos de seca e 127 m³/s (127 mil litros) com rio cheio.

Do canal até as casas
Mesmo que as obras de transposição estejam prontas, a água só chegará às torneiras das pessoas beneficiadas após obras de sistemas de abastecimento serem feitas para tratar a água dos reservatórios e fazer com que ela chegue às cidades. Um protocolo de intenções foi assinado pelo governo federal e estados, mas não há data para que obras estejam prontas e a água finalmente chegue às torneiras.

Entenda o trabalho feito em uma estação de bombeamento
Há duas possibilidades para a água do Rio São Francisco chegar aos reservatórios dos Eixos Norte e Leste. Uma delas é por gravidade. Ou seja, a água do rio vai descendo suavemente pelos canais. Caso o terreno seja muito elevado, túneis farão com que a água passe pelo subterrâneo. Caso o terreno seja muito baixo, há duas possibilidades: construir aquedutos ou se utilizar de estações de bombeamento:

Estrutura
O projeto tem nove estações de bombeamento. Três estão localizadas no Eixo Norte (chamadas de EBI) e seis no Eixo Leste (chamadas de EBV). A primeira estação a ser construída foi a EBV-1, entregue no ano passado. A EBI-1 foi a segunda, inaugurada na cidade de Cabrobó (PE) em agosto de 2015. A bomba pesa cerca de 100 toneladas, tem motor de potência de 5,5MW (que equivale a 91 mil lâmpadas de 60W) e custo estimado em R$ 175 milhões.

Entrada das águas
O primeiro ponto da estação de bombeamento é o canal de aproximação. Nele, a água chega por gravidade na câmara de sucção da estação de bombeamento por meio de um “forebay”. O “forebay” nada mais é do que um corredor mais largo de água. Ele é assim para que a vazão chegue com mais suavidade à estação de bombeamento.

Câmara de sucção
Após entrar na câmara de sucção (estrutura de concreto e com grades), a água é puxada por um motor a uma vazão (impulsionada por pás) de até 99 m³/s (mais do que a vazão média da água) para que ela seja elevada até vencer a altura de 36 metros, equivalente a um prédio de 12 andares (no caso da EBI-1).

O motor e a bomba
A principal parte da estação de bombeamento é composta pelo motor e pela bomba de sucção. De acordo com o Ministério da Integração, a bomba e o motor devem funcionar entre 16 e 20 horas por dia, sendo poupados apenas em horários de pico (à tarde e à noite). Junto ao motor e a bomba, há uma cabine com guindaste para eventuais manutenções das peças.

Painel de controle
Três pessoas são designadas para fazer a operação da Estação de Bombeamento 1 (EBI-1). Elas ficam em um painel de controle localizado na parte fechada da estação, controlam a força do motor e monitoram o bombeamento de água.

Saída da água
Depois de ser puxada, a água vai passar por um duto que a leve da estação para o reservatório. É por ele que a água vai subir pelos 36 metros e continuar o caminho por mais um forebay (espaço mais largo do canal) seguir a sua rota, sempre com declive de 3°.

Para chegar do Rio São Francisco até a casa dos moradores da região, a água passa por um longo caminho. O vídeo abaixo mostra as etapas do percurso:

1 – A água sai do rio e desce por gravidade até uma estação de bombeamento.
2 – Na estação, ela é elevada e volta aos canais. Lá continua a descer por gravidade.
3 – Para descer sempre no mesmo ritmo, a água passa por aquedutos e túneis subterrâneos.
4 - No meio do caminho, saídas de água vão abastecer diretamente 390 comunidades vizinhas à obra.
5 – A água que continua pelos canais vai para reservatórios. Em alguns casos, será usada também para gerar energia elétrica.
6 – Dos reservatórios, a água deve chegar até as cidades por meio de planos de saneamento básico. Depois de todo esse processo, enfim, chega às torneiras das casas e à agricultura.

Glossário:
Declive - Superfície cuja altura diminui gradualmente à medida que é percorrida
Aclive - Superfície cuja altura aumenta gradualmente à medida que é percorrida
Transposição – Transporte de água
Metros cúbicos – Medida de volume: 1 metro cúbico equivale a mil litros
Forebay – Espaço mais largo do duto que serve para diminuir a pressão da água
Vazão – Volume de água que passar por determinado ponto


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