19 de abr. de 2013

Quem sofre no ônibus, mora no Gama

Quem sofre no ônibus, mora no Gama.
Trabalhador do Gama leva quase cinco horas para se deslocar casa-trabalho-casa.

De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho
Que o transporte público na cidade do Gama DF sempre foi precário, não é novidade para os moradores daqui, mas nos dias atuais a situação está pra lá de caótica. Uma pessoa que trabalha no Plano Piloto e mora no Gama leva cerca de cinco horas só para se deslocar de casa para o trabalho e do trabalho para sua casa. O Blog do Arretadinho acompanhou a "via crucis" da população nesta sexta (19), veja como é sofrida a vida de quem depende da Viplan, empresa  detentora da concessão para o transporte público da cidade:
Chegamos à parada do Estádio Bezerrão as 6h da manhã e as 6:30h decidimos embarcar em um dos vários táxis que fazem lotação para o Plano Piloto, visto a falta de coragem de encarar os ônibus abarrotados que passavam.
Após quilômetros de engarrafamento devido as obras do expresso DF chegamos à Rodoviária do Plano as 08:30h. Duas horas e meia para percorrer um trecho de, aproximadamente, 35km.
As 18h entramos na fila do box 7, Gama Oeste, para iniciarmos o retorno ao Gama. Como decidimos fazer o percurso sentados, embarcamos no segundo ônibus trinta minutos depois, ou seja, por tratar-se de horário de pico o intervalo de 15 minutos entre um ônibus e outro já é um absurdo, mesmo porque a linha ao lado, Samambaia, no mesmo horário, tem intervalos de cerca de 4 minutos entre um ônibus e outro. Embarcamos no 201 e logo após ao zoológico nos deparamos com o primeiro ônibus da Viplan quebrado, que atrapalhava ainda mais o já caótico trânsito da EPGU, ficamos 1 hora reféns do engarrafamento no eixinho e das inúmeras paradas para o embarque de mais passageiros.
Seguimos em direção à Candangolândia com trânsito bom mas, logo após o posto policial da CPRV, o ônibus em que estávamos quebrou, cerca de 80 passageiros desembarcaram e juntaram-se aos outros 80 que haviam desembarcado de outro ônibus da mesma empresa que já estava quebrado no mesmo local. Olhei desanimadamente para o relógio e senti um gosto de sangue na boca quando constatei que já eram oito horas da noite.
As 20:30h conseguimos embarcar em um ônibus da Cootarde, pequena cooperativa que opera a mesma linha mas com pouquíssimos ônibus, um misto de ansiedade e alegria rondava a todos porque faltavam apenas cerca de 12Km para chegarmos ao nosso destino, o que foi concluído em 15min, mas qual não foi nossa surpresa ao percebermos, na entrada do Gama, outro ônibus da Viplan quebrado. Resumo da ópera: 4 horas e 45min perdidos nas vidas de milhares de trabalhadores todos os dias.
Sabemos como funciona a engrenagem política para se administrar um Estado como o Distrito Federal, mas para um Governo que esteve 28 anos nas fileiras Comunistas, honestamente, eu esperava mais. Eu esperava mais ações que beneficiassem os trabalhadores e não a classe média alta do Sudoeste e Águas Claras, contempladas com ônibus com ar condicionado, TV e assentos acolchoados,  funcionários atenciosos e sorridentes que conduzem veículos vazios, porque a elite de Brasília não vai abandonar seus carrões importados para andar de "baú", como se diz aqui.
A cada dia que passa me convenço do que me disse minha querida camarada Sandra Cabral, numa linda noite em Saquarema: "O confronto será inevitável, a burguesia não abre mão de nada, se quisermos conquistar alguma coisa vamos ter que tomar, vamos ter que sair pro pau!"

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