O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, faz passeata na Esplanada dos Ministérios
De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho
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| Médico na passeata não escondeu sua identificação profissional, funcionário da Universidade de Brasília. Foto Joaquim Dantas Clique para ampliar |
Na tarde desta Sexta Feira (28) o CRM/DF saiu em passeata pelo Eixo Monumental, em protesto condenando o anúncio da vinda de médicos cubanos. Segundo a Polícia Militar, pouco mais de 100 pessoas participaram do protesto, que seguiu na contra mão da avenida em direção à Esplanada dos Ministérios.
Em nota pública o Conselho afirma que "não faltam médicos, falta gestão. Sem entender ou querer se fazer entender, os governos local e federal produzem factoides que não atendem os interesses da população e evitam atacar o "mal de frente". Não buscam, efetivamente, soluções.
Inventam alternativas que não resolvem os verdadeiros problemas da população e dos profissionais que a ela prestam serviços públicos e privados, principalmente na saúde." Diz em um trecho da nota. Em outro trecho o CRM/DF afirma que "a proposta do governo federal, anunciada pelo Ministro da Saúde, Alexandre Padilha e ratificada pela Presidenta Dilma Roussef, em pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, no último dia 21, de importar milhares de médicos estrangeiros, comprova o descomprometimento com os reais problemas da Saúde Pública Brasileira e a ausência de vontade em buscar soluções".
| Pouco mais de 100 pessoas participaram da passeata sob um sol intenso, embora final de tarde. Foto Joaquim Dantas Clique para ampliar |
O Dr. Roberto Luiz D'ávila, Presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) afirmou que "Nunca tivemos tantos médicos, mas nós temos um problema, porque a maioria está concentrada no Sul e Sudeste. O que falta para solucionar este problema é o Governo Federal promover políticas que deem ao médico as garantias e o respeito profissional por parte do gestor público. O Estado brasileiro tem que tratar a saúde como questão de Estado e não eleitoral", afirmou o Dr Roberto.
Os médicos afirmam que o Governo não tem que se preocupar com os empregos dos médicos estrangeiros, mas com os do Brasil, além de citarem, como exemplo, o Hospital de Base de Brasília, que chamaram de "um verdadeiro depósito de pacientes".
Já o Governo Federal acredita que os médicos estrangeiros podem suprir as carências do Brasil atuando em regiões mais necessitadas.
| Não faltaram críticas ao Governo Federal. Foto Joaquim Dantas Clique para ampliar |
| E muitas críticas ao Governador do DF Foto Joaquim Dantas Clique para ampliar |
Cerca de 60% da população brasileira acredita que a falta de médicos é o maior problema do Sistema Único de Saúde (SUS), aponta o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ciente dessa ausência de profissionais, o Ministério da Saúde está trabalhando para atrair mais médicos ao interior do país, às regiões carentes e periferias de grandes cidades. Investindo na valorização dos médicos brasileiros e em políticas de incentivo para que estes profissionais da saúde atuem na Atenção Básica dos municípios que mais precisam.
Ao longo dos últimos dez anos, o número de postos de emprego formal criados para médicos ultrapassa em 54 mil o número de graduados no País. De 2003 a 2011, surgiram 147 mil vagas neste mercado de trabalho, contra 93 mil profissionais formados, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Neste ano, por exemplo, a população de 333 municípios dos estados do Sudeste recebeu 821 médicos a mais nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) – o contingente só deu conta de atender 32% da demanda por 2.519 por profissionais apresentada pelos municípios da região. Também na região Nordeste, apesar de ser onde o Provab teve o melhor resultado, 41% dos municípios que solicitaram profissionais não conseguiram atrair médicos. Das 1.091 cidades nordestinas participantes do programa, 457 não receberam sequer um profissional.
| Foto Joaquim Dantas Clique para ampliar |
| Foto Joaquim Dantas Clique para ampliar |
Os altos salários oferecidos em concursos regionais e ações como o Programa de Valorização da Atenção Básica (Provab), que oferece bolsa de R$ 8 mil mensais e bônus de 10% nas provas de residência para os profissionais bem avaliados, não estão sendo suficientes para levar os médicos brasileiros às regiões mais necessitadas. No Brasil existe 1,8 médicos para cada mil habitantes. Este índice está abaixo de outros países latino-americanos como Argentina (3,2) e México (2) e de países desenvolvidos como Reino Unido (2,7), e Espanha (4). Além disso, 22 estados brasileiros têm média inferior à nacional, como Maranhão (0,58), Amapá (0,76) e Pará (0,77).
Para enfrentar essa realidade o MS está analisando medidas, com base nas experiências bem-sucedidas de outros países, para atrair médicos estrangeiros que irão ajudar no atendimento à Atenção Básica, como explica o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha: “O ciclo de formação de um médico é de seis a oito anos e a sociedade não pode esperar até que esses novos médicos estejam formados. Hoje na Espanha há um desemprego que atinge 20 mil médicos. Não vamos ficar vendo essa oportunidade e não tentar atrair esses profissionais. Não vamos atrair médicos de países que têm uma taxa de médicos inferior ao Brasil, como nos casos da Bolívia, do Peru e do Equador. E também não vamos aceitar médicos de universidades que não são reconhecidas pelos próprios países. A principal condição é que eles terão de atuar exclusivamente nas áreas designadas pelo Estado, em locais carentes”, explica o ministro.
| O grupo seguiu, na contra mão, em direção à Esplanada. Foto Joaquim Dantas Clique para ampliar |
Outras medidas
Além do Provab, o Ministério da Saúde tem outras iniciativas para suprir a carência nacional de médicos, como o programa que abate 1% ao ano da dívida do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES) para médicos que atuarem na Atenção Básica. Realiza, ainda, esforço junto ao Ministério da Educação para abrir vagas de medicina em regiões que carecem desses profissionais e com uma estrutura de saúde adequada à formação.
Com informações do Blog da Saúde

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