Na minha opinião a bola está com a presidenta Dilma
Por Ikaro Chaves
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O Brasil vive hoje um daqueles momentos graves na história, daqueles em que em questão de horas pode ser decidido o futuro do país. As manifestações começaram como luta por uma tarifa justa e qualidade no transporte coletivo. Nada de novo, desde os 17 anos em Goiânia eu já participava de atos por isso.
Começou organizado por movimentos populares e estudantis em Goiânia, São Paulo e outras cidades. Depois veio a brutal repressão policial do dia 13 em São Paulo que levou à comoção nacional e colocou como protagonistas as redes sociais como veículo de convocação e a incorporação de amplos setores à luta que já não era só pelo transporte, mas contra os gastos da copa, por saúde, educação, contra a corrupção....
Essa ampliação do movimento e das pautas e a realização de multitudinárias manifestações tomou a muitos de surpresa, inclusive o mais poderoso partido de oposição, a mídia.
Antes contrária às manifestações (como sempre) ela passa a descaradamente apoiá-las. Percebendo o quanto aquele movimento quase espontâneo e com uma miríade de bandeiras lhe poderia ser útil, passou também a tentar ditar sua pauta até mesmo a divulgá-lo.
Nesse dia 20 as manifestações foram gigantescas e mostraram uma enorme contradição. As pessoas continuavam com suas milhares de pautas, mas era claro o ódio à mídia que os tenta manipular, ao mesmo tempo em que as pautas despolitizadas colocadas pela mídia ganhavam força.
Grupos de extrema direita que antes destilavam seu veneno pela internet saíram da toca e foram às ruas misturados à uma multidão de jovens que estão indo às suas primeiras manifestações. Pude ver até mesmo grupos tipicamente nazistas em Brasília agredindo militantes dos movimentos sociais e colocando a massa contra esses.
Grave, extremamente grave. Os atos de violência generalizada provocados por agitadores em algumas cidades são consequência da falta de liderança no movimento à essa altura e da ação deliberada de grupos tanto de extrema direita quanto de extrema esquerda infiltrados.
Para muita gente o que está faltando são cadáveres para criar a situação propícia a um golpe.
Todos estão um pouco assustados agora. O governo que sabe que essa situação pode acabar mesmo em um golpe, a oposição, inclusive midiática que teme que as ruas em ebulição empurrem o governo mais para a esquerda e os movimentos sociais que não sabem como lidar com essa situação nova.
Na minha opinião a bola está com a presidenta Dilma. Ela precisa urgentemente refundar seu governo com alguma medida de impacto que possa trazer para seu lado a juventude que se manifesta, em sua maioria com desejo de uma participação que nosso sistema político é incapaz de oferecer.
Em momentos como esses gestos moderados não são o suficiente. O prefeito que baixa a tarifa mas que diz que vai diminuir os investimentos não ajuda a ganhar o movimento. É necessária uma medida de audácia que entusiasme os os aliados e desoriente os adversários.

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