14 de jul. de 2013

A Lição dos lêmures por um Brasil mais justo

A lição dos lêmures por um Brasil mais justo – Iberê Lopes
O sol nas bancas de revista me enche de alegria e preguiça, afirmaria Caetano Veloso. E assim eu sigo lendo as curiosas aventuras desse mundo, manifestante, pintado com pincel atômico em cartolina azul e verde. Observe: uma recente pesquisa da Universidade de Duke, localizada em Durham no estado da Carolina do Norte (EUA), analisou a interessante vida social de lêmures. E a descoberta não poderia ser mais apropriada para o momento que estamos vivendo nas terras de Tupinambá (Brasil). Quanto maior a interatividade entre estes lindos macaquinhos, mais desenvolvem habilidades manuais e encontram resolução para os problemas coletivos.
Apesar do tamanho diminuto dos cérebros e da ausência de tecnologias para a interatividade virtual a espécie Lêmur catta demonstrou que viver em grupo pode ser menos complexo do que acredita a nossa vã filosofia. Neste estudo, ficou comprovado que quanto maior o número de integrantes, naturalmente, o que é aprendido é disseminado sem entraves com a legislação de propriedade intelectual. Portanto, mais rápido é absorvido e posto em prática o gesto simples de abrir uma lata de comida que será dividida entre todos. Fiquei estupefato: o conhecimento dos lêmures, comuns em Madagascar, é um bem de todo o conjunto da sociedade. Muito diferente da “humanidade intelectualizada” que vivemos. Imaginem do que seriam capazes estes sapientes e graciosos bichinhos com um iPhone na mão, dominariam os homens. Que paraíso!
Caindo na realidade, concreta e bem distante da vida social dos macaquinhos de Madagascar, acredito que a sugestão do Governo para a Reforma Política precisa ser aperfeiçoada. Vejo o plebiscito como uma forma de dar voz ao povo em uma importante pauta reivindicada pelos cidadãos que foram às ruas. Partir dessa reforma estruturante é um excelente sinal, podemos ter um Brasil mais participativo e menos desigual com a eleição de representantes dignos. Vejamos dois pontos que gostaria de destacar para refletirmos: o Financiamento Público de Campanha dará maior transparência e independência política ao candidato e, se eleito, no exercício do mandato; a opção pelo voto proporcional em lista aberta, no caso do sistema eleitoral, fará com que ganhem visibilidade os projetos, ideologia e programas de cada partido político. Isso qualifica muito o debate, trazendo as discussões para o campo das ideias e evitando o personalismo promotor de coronéis no lugar de governantes.
Particularmente, gostaria de ver uma mudança que entendo como necessária para a Reforma Política. A opção pelo aprofundamento da  Democracia Semidireta, onde temos um equilíbrio de forças, combinando a representação política e a soberania popular seria perfeita. Parece-me juridicamente possível estar presente este tema no plebiscito. Agora, precisamos ouvir a população. Deveríamos aproveitar o momento para definir políticas de controle e participação efetiva dos cidadãos. Esta sim seria um Reforma Política Ampla e Estrutural.
Espero que a população se mantenha inquieta e atuante. Estamos crescendo como Nação com as manifestações e reflexões acerca dos problemas sociais e de infraestrutura do Brasil. Ao longo do tempo nosso cérebro ficou maior, ao contrário do que acontece com os lêmures, mas isso infelizmente não representou maior interatividade entre os seres humanos pelo bem do coletivo. Uma última conclusão, presente na pesquisa, me gerou dúvida pela comparação feita: “como ocorre entre seres humanos, as inovações têm uma chance muito maior de se popularizarem quanto maior o tamanho da rede social.” Será? Enfim, como diria Lula: feliz é o país que tem um povo que tem liberdade de se manifestar. E mais feliz ainda é um país que tem um povo que se manifesta e que vai às ruas querendo mais.

Dicionário Jurídico
Democracia Semidireta:
“é uma forma de democracia que possibilita um sistema mais bem-sucedido de democracia frente as democracias Representativa e Direta, ao permitir um equilíbrio operacional entre a representação política e a soberania popular direta”, Bobbio (1987, p. 459).
“a soberania está com o povo, e o governo, mediante o qual essa soberania se comunica ou exerce, pertence ao elemento popular nas matérias mais importantes da vida pública”, Bonavides (2003, p. 275).

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