A onda não pode parar
Por Iberê Lopes
no sitio http://iberealsur.wordpress.com
Perdoem-me os cientistas políticos, mas, eu não entendo como “reforma política” um texto que trate apenas do financiamento público de campanha e sistema de voto. Acho fundamental este debate. Sobretudo um plebiscito para que todo o conjunto da sociedade se envolva com uma mudança importante no sistema eleitoral do Brasil. Agora, resumir a isto o clamor das ruas por melhorias dos serviços públicos é no mínimo uma afronta à inteligência do povo.
O financiamento público evita, de fato, que políticos “profissionais” façam do seu mandato um balcão de negociatas com seus “investidores”. Aponta para um equilíbrio na busca pelo voto, acabando com as distorções de caixa das campanhas. Esta é uma reforma eleitoral. Alguém me socorra, antes que eu me afogue nessa dúvida cruel: o sistema de voto deve mudar por qual motivo mesmo? Estou coçando a cabeça e tentando entender. Andante que ainda tem mais…
Vamos direto ao ponto, que já estamos queimando a pestana faz muito tempo. É hora de colocar mais tempero e não água nesse feijão. Que tal melhorarmos os instrumentos de participação popular? Bem brasileiro mesmo: a farofa deve ser utilizada como complemento indispensável. Valorizar a democracia direta ou semidireta é um caminho necessário para um País continental. Ouço muitos falarem em crise de legitimidade e não vejo assim, temos instituições sólidas e uma democracia calcada na liberdade de expressão e livre manifestação.
Estamos em um momento único. Urge levar o debate para a base, incluir a população nas decisões estruturantes. As reformas política, urbana, educacional e na saúde (principais bandeiras que observei nas ruas) devem ter profundidade proporcional às manifestações. Não podem ser uma peça de ficção de meia dúzia de congressistas. Parece-me que existe uma distância abismal entre o que pensa o cidadão da polis e as sinapses dos governantes e parlamentares de Atenas-Brasilis. Onde foi parar a ideia do Orçamento Participativo?
Quero olhar para frente e imaginar que estamos trilhando um caminho de crescimento. Um amadurecimento das instituições e da sociedade nessa pré-adolescência que passa a democracia brasileira. Estamos encontrando nossa identidade e forma de construção. Nunca havia visto em meus 34 anos, ainda um piá, tantas e ótimas reflexões de gente que quer pensar o Brasil. A internet tem parcela neste fenômeno, no mais é a sociedade querendo ser ouvida e atendida. “O mundo que eu amo, as lágrimas que eu derramo fazem parte da onda que não pode parar. Já se perguntou se é tudo para você?”
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