22 de ago. de 2013

A Percepção das cores - por Iberê Lopes

A Percepção das cores
Foto: Danny Clinch 03/10/2010 (Thom Yorke)
por Iberê Lopes
no sitio Ensaio Coletivo

Existem dias que a gente fica fora do eixo, espanta a necessidade de calar, lamenta ter dito além da conta, perde o tempo de beber da sabedoria do silêncio, faz revolto um mar claro e de ondas calmas, se desencontra da própria alma e percebe que este é o exato momento de conhecer os próprios limites e horizontes.
Era manhã de segunda-feira quando despertei de um pesadelo. Todas as imagens sagradas que conhecia estavam sendo retiradas das paredes e colocadas no chão cuidadosamente. Em princípio fiquei com medo, um sentimento tão natural quanto encarar folhas em branco antes de escrever. Ficou apenas o vazio da humanidade em meu peito. Naquele instante, quando abri os olhos, pensei no quanto necessitamos estar prontos para mudanças.
Percebo melhor as nuances e a profundidade de um texto com os olhos do que com os ouvidos, disse uma amiga. Problematizamos tanto pequenas coisas que nossos ouvidos ficam entupidos de pensamentos. Atulhados de vozes que nos fazem surdos diante da multiplicidade de cores, contrastes e caminhos abertos. É impossível apagar da história nossas marcas, o importante é compreender o quanto podemos e temos abertura para mudar.
Espero que minhas conexões estejam sendo bem feitas. Gostaria de ser compreendido para compartilhar sem ruídos algumas vivências. Ao pesquisar sobre a percepção das cores, encontrei uma definição que caiu como uma pétala perfumando o ambiente conturbado da minha imaginação. Um observador, um objeto e luz: três componentes necessários para perceber a existência em cores de algo concreto ou imaterial.
Chamou muito minha atenção esta explicação que encontrei no site Cambridge in Colour: apesar da luz branca ser normalmente encarada como “sem cor”, na realidade ela contém todas as cores do espectro visível. Quando a luz branca atinge um objeto ele absorve algumas cores e reflete outras; somente as cores refletidas contribuem para a interpretação da cor feita pelo observador.
Nas horas de maior confusão respire. Quando tudo parecer irremediável, sem solução ou fora de lugar é tempo de um novo arranjo para aprender outro rumo. Reposicionar seus limites e a infinitude que existe para sonhar, alinhando simetricamente com a realidade concreta de viver. A imortalidade de nossas almas e a fragilidade de nossos corpos tal qual um arco-íris, ora nos encanta com a beleza de sua intensidade e noutras vezes nos leva as lágrimas com a sua ausência.

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