10 de ago. de 2013

Escultura restaurada de Vera Mukhina inaugurada em Moscou

Escultura restaurada de Vera Mukhina inaugurada em Moscou
No parque moscovita Museon realizou-se a inauguração da composição escultural de Vera Mukhina "Exigimos a paz". Durante mais de 20 anos este monumento ímpar da época soviética, não era mostrado ao público.
Vera Mukhina tornou-se mundialmente conhecida em 1937, depois que o pavilhão da URSS na Feira Mundial de Paris foi enfeitado com a escultura "Operário e Kolkhoziana". Esta obra causou enorme impressão em todos os participantes e visitantes da exposição e por longos anos foi um dos símbolos do Estado soviético.
Vera Mukhina foi considerada um dos melhores escultores da URSS e cada uma de suas obras tornou-se um acontecimento notável na vida artística do país. Segundo recordações de seus contemporâneos o grupo escultural "Exigimos a paz" foi pensado por Mukhina como uma resposta à guerra que ocorreu em 1950 na Coreia. Ao mesmo tempo ela pressupunha que esta obra seria um apelo artístico à paz universal. Mukhina queria que "Exigimos a Paz" fosse não apenas um monumento, mas uma espécie de cartaz de propaganda em escultura. A composição foi feita em metal leve e pretendia-se levá-la de cidade a cidade e expor durante conferências, congressos e comícios.
A composição escultural consiste de seis pessoas: quatro homens e duas mulheres com crianças pequenas - representantes de diferentes povos. Rigorosamente falando, Vera Mukhina não é única autora do monumento, cinco artistas plásticos trabalharam na escultura. Vera Mukhina foi ajudada por Nina Zelenskaya, Zinaida Ivanova, Serguei Kozakov e Alexander Sergueev.
Conhecidos e colegas de Mukhina, a princípio, não acreditaram muito na idéia de tal criação coletiva. Parecia que cinco diferentes mestres não poderiam criar uma composição única e seriam figuras diferentes, que se distinguiam em estilo e concepção. No entanto os artistas conseguiram em conjunta encontrar uma solução e elaborar imagens expressivas. Sendo que, como recordava Nina Zelenskaya, Mukhina "mantinha-se em igualdade, não salientando de modo algum sua autoridade, sua posição de destaque na arte. Só falava: "O que você acha? O que pensa disto?""
A própria Mukhina criou a imagem de mulher com uma criança morta nos braços. Posteriormente ela lembrava que a imagem surgiu no início da Segunda Guerra Mundial. Então Mukhina fez vários esboços, mas aconteceu que a ideia foi concretizada somente com o trabalho na escultura "Exigimos a Paz".
 O conhecido escritor soviético Boris Polevoi escreveu em carta a Vera Mukhina: "Esta escultura, que é forte antes de mais nada por que obriga o homem a pensar na situação internacional, sobre os destinos da paz, pensar em que nós próprios fazemos para impedir a guerra, defender a paz e nossa própria família contra novos horrores."
Até 1994 a escultura esteve na região da Exposição das Realizações da Economia Nacional depois a mandaram para o parque de artes. Mas então das seis esculturas que compunham a composição chegaram inteiras ao Museon apenas três figuras: a coreana, o soldado inválido e a mulher com uma pomba. O monumento que exortava à paz foi arruinado não por considerações ideológicas, mas práticas, queriam entregá-lo a um posto de compra de metais não ferrosos.
Os restauradores tiveram de fazer novamente os fragmentos perdidos das esculturas, usando o original em gesso, guardado no Museu Russo. E agora a composição escultural "Exigimos a paz" tornou-se a pérola da coleção do parque Museon.

Armen Apresyan
no sitio Voz da Russia

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