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| Veja as dicas para o fim de semana; na sessão comentada, biografia do músico Sabotage |
A coluna de hoje tá especial: só peças legais para animar o fim de semana. É bom ficar de olho, espetáculos de primeira rolam solto por aí com entrada livre. Se souber de uma programação bacana na sua universidade ou na cidade, manda para gente no redacao@une.org.br . A dica comentada desta semana fala sobre a biografia do cara que fez do rap um compromisso, salve Sabotage!
O que?
Espetáculo Eh?, de Yves Lebreton (Itália) dentro da Bienal de Teatro Físico/ 8º Encontro de Atores Criadores. Mr. Bollon traz o mistério de como escapar do peso do tempo, por meio da comicidade leve e sincera. Ele vem de um mundo feito de ar, disposto a se aventurar na descoberta deste estranho planeta chamado Terra, onde seus habitantes vivem sob o peso da gravidade, lutando contra uma realidade imutável. O espetáculo é para o público adulto. Quando? 05/10 às 21h. Onde? Espaço Sonhus, instalado dentro do Colégio Lyceu de Goiânia (R. 21, n. 10, Centro – atrás do Banana Shopping). Quanto? Gratuito (ingressos limitados). Informações: teatroritual.com.br/8bienal/
O que?
Espetáculo O inquilino do sublime ou a baianidade de Vinícius de Moraes . Monólogo com texto e interpretação de Eduardo Kruschewsky faz parte da celebração dos 100 anos de Vinícius de Morais. Quando? 4/10 e 5/10 às 20h. Onde? Centro de Cultura Amélio Amorim ( Av. Presidente Dutra, 2222, Capuchinhos) Quanto? R$10 inteira, R$5 meia. Informações: (75) 3622-4684
O que?
Peça Caixa de Phosphorous no Projeto “Luzes e Aplausos”. Cris e Pedro não conseguem se esquecer. Inventam maneiras de se desencontrar, vivem várias histórias e situações inusitadas, para enfim descobrir que, apesar de tudo, nasceram um para o outro. Texto de Renata Mizrahi. Direção de Susanna Kruger. Onde? Teatro do Sesi (Rua Tupinambás, 242, Jardim da Penha Vitória) Quando? 05/10 às 20h. Quanto? R$ 30 inteira, R$ 15 meia.
O que? Peça Amor de Dom Perlimplim com Belisa em seu Jardim, produzida por Elefants Núcleo de Arte. Dom Perlimplim, velho aristocrata tímido e completo desconhecedor do mundo das mulheres, é levado por sua governanta Marcolfa a casar-se com Belisa, belíssima e leviana jovem que, por interesse e influência de sua mãe, aceita o enlace. Inteiramente apaixonado, entretanto incapaz de consumar o casamento, D. Perlimplim arquiteta um plano que irá revelar ao público um final surpreendente. O texto é do escritor espanhol de Federico Garcia Lorca. Quando? 4, 5 e 6/10, às 20 horas. Onde? Teatro da UFSC (ao lado da Igrejinha, Praça Santos Dumont, Trindade) Quanto? Gratuito. Os ingressos devem ser reservados pelo e-mail elefants.art@gmail.com
O que? Espetáculo Vozes Dissonantes, com Denise Stoklos. “Vozes Dissonantes” trata de grandes personalidades brasileiras que apontaram os rumos e, principalmente, as feridas do Brasil, em cinco séculos de história. Traz textos de nomes como o padre Antônio Vieira se manifestando contra a escravatura, dos abolicionistas Tiradentes e José Bonifácio, do geógrafo Milton Santos, dos escritores Gregório de Matos e Euclides da Cunha e muito mais. Quando? 04/10 às 20h. Onde? Oficina Cultural Cândido Portinari (Rua Visconde de Inhaúma, 490, 1º andar, Centro) Quanto? Gratuito. Informações: (16) 3625-6161 / 3625-6970.
Livro: “Sabotage. Um bom lugar”Autor: Toni C.Editora: LiteraRUAAno: 2013Páginas: 344Site: www.literarua.com.br/sabotage/
Biografia de Sabotage mostra caminho frenético da vida do músico
Começo pelo fim. Lá quase no final do livro, o autor Toni C. abre um capítulo curto (“Cantando pro santo”) para dizer que o músico Sabotage era filho de Oxóssi e escreve: “Oxóssi é um orixá avesso à morte, à exemplo de Xangô, porque é a expressão da vida. A Oxóssi não importa a quantidade, mas a intensidade da vida”.
É esse vigor de som e fúria que a biografia “Sabotage: um bom lugar” revela sobre um dos principais artistas brasileiros dos últimos tempos. No início, o leitor adentra a pequena favela do Canão, parte da favela do Aeroporto, no Brooklin, bairro da zona sul de São Paulo. Dali para frente, o ritmo é frenético, assim como foram as rimas e os 29 anos vividos por Sabotage.
Do crime para o rap. Do rap para o cinema. Do cinema para o Fórum Social Mundial. Ali, no maior encontro dos movimentos sociais do mundo, Sabotage faria uma apresentação na cidade Hip Hop. O ano era 2003, Lula tinha sido eleito pela primeira vez após três disputas perdidas e o clima era de expectativa por mudanças na realidade da maioria do povo brasileiro, cantada e denunciada em muitas das letras de Sabotage. Com a vida interrompida poucas horas antes de pegar um avião rumo a Porto Alegre, sede do Fórum, Sabota não viu, não cantou, não viveu isso.
O mérito do livro está em uma narrativa simples, detalhada, que aproxima o leitor dos fatos. Nessa passagem, que antecedeu o assassinato do músico, caminhamos ao lado de Sabotage ou é como se estivéssemos do outro lado da rua, observando aquele cara grandão, de cabelo esquisito, correndo para não perder o avião. “Vinte minutos de passos largos o levaram até a Avenida Prof. Abraão de Morais. Já havia percorrido mais da metade do caminho. Estava na altura do número 1877, próximo ao Shopping Plaza Azul. Um disparo o atingiu em cheio na altura dos olhos [...]”
Sabotage era um cara engraçado naturalmente no seu jeito de fazer as coisas. Tinha um caderno cheio de anotações e letras, que confundiam até ele mesmo. E várias atitudes hilárias, como na vez em que resolveu ajudar o pessoal do filme Carandiru a achar pessoas para serem figurantes e outros papeis. Ele levou a produção na casa do Rappin Hood e o apresentou assim: “Esse é o Rapin Hood, cantor e ator”, no que o amigo o chamou no canto e falou: “Sabota, que história é essa de ator?”. O livro revela ainda que a participação de Sabotage no filme Carandiru foi além do clássico beijo na bunda de Rita Cadilac. Sua presença era tão intensa que contagiou até Hector Babenco. O diretor chegou a compor um rap durante a filmagem.
Sabotage era assim. Contagiava o ambiente. E, dessa forma, deixou uma obra pequena, mas genial. Será para sempre lembrado como o cara que não sabendo que era impossível, foi lá e fez. (Rafael Minoro)
Cristiane Tada
no sitio http://www.une.org.br/

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