Leilão de Libra coloca o Brasil em um novo patamar geopolítico mundial
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| A truculência do governo, ao deslocar contingentes do Exército para a frente de um hotel na Barra da Tijuca, destoa com os ganhos geopolíticos do leilão de Libra |
Ao garantir a extração do petróleo contido no Campo de Libra, o Brasil salta para a quinta posição no ranking dos países produtores, segundo a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), aliado não mais aos EUA, mas a um conjunto mais amplo de forças, entre elas a China. O ponteiro da balança pendeu, agora, para o prestígio ao grupo que conhecido como Brics que, além dos brasileiros, reúne os russos, indianos, chineses e sul-africanos. Da Rússia, o Brasil já comprou um sistema antiaéreo de primeira geração. Com a Índia, também fortalece relações; idem com a África do Sul.
Segundo fonte com trânsito no setor energético brasileiro, que falou ao Correio do Brasil em condição de anonimato, no início da noite desta segunda-feira, logo após encerrado o leilão do qual o país saiu com uma fatia de mais de 75%, “está definido o contorno final de um novo bloco econômico que, nos próximos meses, falará em um tom mais grave na formação de um novo Conselho de Segurança (CS) da ONU”.
– O assento definitivo do Brasil no CS ocorrerá, em grande parte, devido ao alinhamento dessas forças em campos produtivos, como o do petróleo e o da indústria, que têm peso específico na definição dos fatores de desenvolvimento e de independência econômica dos países – afirmou.
Os Estados Unidos correm para se livrar da absoluta dependência em que se encontra desta commodity, com a produção de refinados a partir do xisto betuminoso, e busca desenvolver ao máximo este processo, que ainda passa por ajustes científicos. Mas a presença da China, no cenário mundial, contrapõe-se ao consumo dos norte-americano. Hoje, a China surge como a maior importadora de petróleo do mundo, já à frente dos EUA, o que amplia de forma decisiva os laços econômicos sino-brasileiros.
A importação norte-americana de petróleo, desde 2007, já declinou 22,37%, para 10,58 milhões de barris diários em 2012, segundo balanço da petrolífera British Petroleum (BP), que – também de forma estratégica, preferiu se ausentar do leilão de Libra. O uso de recursos não convencionais também derrubou o preço do gás praticado nos EUA e o derrubou frente aos preços do petróleo. O Henry Hub, preço praticado no mercado à vista da América do Norte, passou de US$ 8,86 por milhão de British Termal Unit (BTU, na sigla em inglês, e corresponde a 252,2 calorias, é medida usada internacionalmente) para US$ 2,7 por milhão de BTU entre 2008 e 2012. A queda foi da ordem de 69,5%, o que tem promovido um certo alívio para o parque industrial norte-americano.
Trata-se do cenário ideal para a formação de “um novo grupo de países, que precisa manter sua competitividade em nível mundial”, afirmou a fonte. Os custos financeiros da operação justificam-se – e a escalada no preço das ações da Petrobras nas bolsas de valores, minutos após a batida do martelo mostra isso – mesmo precisando desembolsar mais por uma área que já pertencia à estatal do petróleo.
– Com o leilão de Libra, embora o setor de inteligência do governo tenha sido extremamente conservador no deslocamento de tropas para a frente de um hotel, na Barra da Tijuca, o Brasil ganhou uma nova posição no cenário estratégico das relações internacionais. A presidenta Dilma Rousseff sai com a imagem levemente arranhada, por conta da truculência na convocação dos recrutas para espantar meia-dúzia de manifestantes, em um dia de sol quente no Rio de Janeiro, mas os resultados que a operação produziu, em nível estratégico, tendem a deixá-la mais esbelta para as eleições em 2014 – concluiu.
fonte http://correiodobrasil.com.br/

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