Érika Kokay : "As profissionais do sexo têm direito a ter sua profissão regulamentada"
De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho
Nesta Terça-Feira (3) o Coletivo de Mulheres da CUT reuniu-se, em São Paulo, para debater o Projeto de Lei 4211/2012 que regulamenta a profissão das profissionais do sexo, de autoria do Deputado Federal Jean Willys (PSOL-RJ).
Em sua fala a secretária da Mulher Trabalhadora da Central, Rosane Silva, afirmou que “O Jean está pressionando a Kokay (deputada Érika Kokay do PT-DF) para assumir a relatoria do projeto e enquadrar o PT. E a companheira está esperando a posição da CUT para saber como pensamos. Minha opinião é que ela não aceite ser relatora e organize as deputadas do Congresso para votar contra esse texto. O que precisamos é lutar por políticas públicas que tirem as mulheres da condição de prostitutas”.
Esta declaração de Rosane foi o suficiente para que o autor do Projeto reajisse em sua coluna do sitio Carta Capital: "É curioso que as mulheres da CUT, por um moralismo não assumido, atentem contra as liberdades individuais e contra o direito de uma mulher de dispor sobre seu corpo, colocando-se ao lado do discurso dos fundamentalistas que impulsionam projetos para criminalizar o trabalho sexual, como o PL-377/2011 do deputado fundamentalista João Campos, o mesmo que defendia a bizarra lei de "cura gay"." Rebateu Jean.
Eu não duvido que o sectarismo de algumas tendências do Partido dos Trabalhadores tenham "levado" a Secretária de Mulheres da CUT a dar uma declaração dessa, essas mesmas tendências do PT não admitem que outras pessoas tenham iniciativas políticas, eles querem ser os autores e atores centrais no mundo político, não é a toa que hoje, com a prisão ilegal decretada pelo STF de Genoino, o PT esteja experimentando do próprio veneno. Muitos que lerem esta postagem entenderão o que estou dizendo.
Tudo isso levou a Deputada Érika Kokay a divulgar nota sobre a polêmica criada pela secretária da Mulher Trabalhadora da Central, confira abaixo:
Nota de EsclarecimentoCrédito :Tenho enorme respeito pela Central Única dos Trabalhadores. Já fui presidenta da CUT-DF e devo grande parte da minha formação politica a esta central sindical. Considero, sobretudo, que o Coletivo Nacional de Mulheres da CUT é absolutamente fundamental para a construção de uma nova sociedade.Entretanto, ao ver a nota publicada pelo Coletivo a respeito do Projeto de Lei 4211/12, que regulamenta o trabalho dos(as) profissionais de sexo, me sinto compelida a prestar alguns esclarecimentos:- Nunca fui pressionada pelo deputado Jean Wyllys a assumir a relatoria do projeto. Fui, sim, convidada pelo deputado, que teme que o projeto seja vítima da lógica fundamentalista presente na Câmara dos Deputados.- Não conheço nenhuma tentativa de enquadramento do Partido dos Trabalhadores por parte do deputado, até porque a postura de Jean Wyllys sempre foi muito respeitosa em relação ao PT.- Tenho convicção de que o deputado elaborou essa proposta, em parceria com o movimento das prostitutas organizadas politicamente, movido pela melhor das intenções, no sentido de dar dignidade e assegurar os direitos trabalhistas às profissionais e aos profissionais do sexo, combater a exploração sexual e o tráfico de pessoas.- Estou absolutamente aberta a acolher posicionamentos e aprofundar as discussões acerca da regulamentação. Considero de maior relevância as posições da CUT para formar uma opinião mais aprofundada, que pode inclusive mudar ao longo das discussões. Entretanto, em princípio, tenho uma posição pessoal de que as trabalhadoras e os trabalhadores do sexo têm o direito de ter sua profissão regulamentada, como qualquer trabalhador(a) do nosso país.Érika Kokay (PT-DF)Deputada Federal
Aqui a declaração de Rosane Silva
Aqui o rebate de Jean Willys

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