13 de jun. de 2017

Médico publica carta sobre o caso do aposentado baleado no #OcupaBrasília

Dr Daniel Sabino/Foto do Facebook
Homem que foi baleado no #OcupaBrasília na Esplanada dos Ministérios recebeu alta e o médico que o assistiu divulgou uma carta pública sobre o caso

De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

A manifestação denominada de #OcupaBrasília, realizada no último dia 28 de maio, na Esplanada dos Ministérios em Brasília, reuniu cerca de 150.000 manifestantes, que exigiam a saída do presidente ilegítimo Michel Temer.

A manifestação também exigia o fim das Reformas Trabalhistas e da Previdência, além de rejeitar o projeto de terceirização.

Entre esses 150 mil manifestantes estava o Sr Clementino, aposentado que veio de Goianésia, GO, distante cerca de 200km da capital da República, juntar-se aos milhares de trabalhadores e trabalhadoras naquela que deveria ter sido uma manifestação pacífica.

A Polícia Militar do DF, mais uma vez, usou de truculência contra a população e o Sr Clementino foi uma das dezenas de vítimas da truculência policial, ele levou um tiro na altura do pescoço.

Quem assistiu o Sr Clementino no hospital foi o Dr Daniel Sabino, médico da Secretaria de Saúde do DF.
O #OcupaBrasília reuniu cerca de 150 mil pessoas de todo o Brasil Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho
O #OcupaBrasília reuniu cerca de 150 mil pessoas de todo o Brasil
Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho

Após 10 dias de internação e ter sido submetido a um procedimento cirúrgico, o Sr Clementino recebeu a notícia de que sua alta hospitalar havia sido assinada pelo Dr Daniel na noite de sábado (03/06), entretanto, além da liberação do paciente, o médico assinou uma carta sobre o caso, que foi publicada em seu perfil no Facebook, confira abaixo:

"Clementino finalmente foi dado de alta hoje, sábado. Depois de 10 dias internado, ontem a noite foi submetido a um procedimento cirúrgico. Partiu, com um olho a menos, acompanhado de sua humilde esposa, sacola de plástico na mão, chinelo de dedo, a pé, em direção ao metrô. Fará uma escala na Ceilândia, na casa de um familiar, até conseguir pegar o ônibus para Goianésia, a mais de 200 km de Brasília.

Ontem levei-lhe duas camisas, porque já não tinha roupas limpas. O Estado? A Defensoria Pública? A OAB? A Secretaria de Direitos Humanos? Os moralistas? Nunca apareceram! Alguém da polícia para ao menos pedir-lhe desculpas? Quem vai devolver-lhe esse olho?

Quem vai arcar com os prejuízos materiais, físicos, psicológicos e morais desse cidadão, cujo único crime foi vir a Brasília manifestar-se por seus direitos?

Chorei ao sair do hospital: pela hipocrisia, a ignorância e a desumanidade do cidadão médio brasileiro. Não se trata de ideologias, de partidos políticos, mas de respeitar a condição humana, a dignidade. Sinto aquela impotência que rasga a carne. A esperança se esvai.

Só me resta uma certeza: são esses heróis anônimos que fazem a História, enquanto vocês ficam sentados no sofá assistindo televisão chamando-os de baderneiros.

#OcupaBrasília"

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