17 de out. de 2013

A maioria das profissionais brasileiras não retorna ao trabalho após a licença-maternidade

A maioria das profissionais brasileiras não retorna ao trabalho após a licença-maternidade
Vamos combinar que a maioria de nós não precisava de pesquisa para saber que cada vez mais brasileiras não retornam ao trabalho depois da licença-maternidade. Mas se tem pesquisa, a gente pode conversar sobre o assunto em outros termos, com uma convicção diferente e com uma visão menos empírica desta tendência que promete fazer o mercado mudar. Por que falo em mercado? Acredito que esta mudança, assim como foi o ingresso da mulher no mercado de trabalho lá atrás, no tempo das nossas mães e avós, forçará as empresas a repensarem a forma como estão tratando das novas mães. Ter filhos é cada dia mais um projeto de vida, uma decisão pensada e muito bem planejada. 

Exige capacitação e uma visão estratégica. Por estas e outras competências, a mulher que está bem na sua área profissional e decide dar este passo costuma fazer muita falta no seu espaço de trabalho, o que faz com que, cada dia mais, os empregadores e clientes pensem muito antes de refutar uma profissional competente “só porque ela tem filhos”. É verdade, ainda tem gente na idade das cavernas, que não percebe quantas novas competências uma mulher que se torna mãe passa a ter – viramos sim, supermulheres, é um fato! – e o quanto o nosso comprometimento com tudo melhora. São estes os que não flexibilizam horário, não favorecem o trabalho remoto e perdem suas boas colaboradoras para estatísticas como a que citei no início.

Os dados são da pesquisa global realizada pela Robert Half com 1.775 diretores de Recursos Humanos de 13 países, sendo 100 brasileiros. No Brasil, 85% das empresas responderam que menos da metade de suas funcionárias retorna à vida profissional após o nascimento de seus filhos. A taxa é bem mais alta que a média global – 52% das companhias ouvidas em todo o mundo relataram o mesmo problema. Em relação às mulheres que ocupam cargos de gestão, a taxa de retorno ao trabalho é mais alta. Apenas 37% das companhias brasileiras responderam que a volta ao trabalho fica abaixo de 50%, enquanto 63% relataram que o índice é superior a 50%.
“É um movimento comum o afastamento das mulheres pelo período de um ano após darem à luz para se dedicar integralmente ao bebê e assumir da forma mais plena o papel de ser mãe. Após esse período, elas acabam retornando ao mercado”, afirma Daniela Ribeiro, gerente sênior das Divisões de Engenharia e Marketing e Vendas da Robert Half. 
A diferença entre os percentuais de retorno entre a média das profissionais e as mulheres em cargos gerenciais se dá pelo fato de que aquelas que ocupam posições mais altas possuem um perfil mais dinâmico e não conseguem se imaginar fora do mercado. Para a mulher é mais difícil alcançar um cargo de liderança e quando o alcançam não querem desistir dessa conquista. A questão financeira também é um fator importante, pois essas profissionais possuem uma remuneração mais alta e relevante para o orçamento familiar.
Quando questionadas sobre as políticas de retenção de suas funcionárias, os diretores de recursos humanos brasileiros mencionaram os planos de saúde e dentários (41%), o trabalho remoto (39%) e os horários flexíveis (29%) como os mais populares. 
Mais ou menos… Na prática, porém, as iniciativas de trabalho em tempo parcial ou com flexibilidade de horário ainda não são tão frequentes nas empresas: 31% dos diretores brasileiros responderam que essas ações são comuns ou muito comuns. Essa taxa está bem abaixo da média global, que ficou em 68%. Esse percentual reflete entraves da legislação brasileira. Ao mesmo tempo, as companhias ainda são conservadoras quando se trata de jornada e horário de trabalho. E aí, no seu trabalho, como é a reação às mulheres que retornam da licença-maternidade? Há apoio para facilitar a adaptação da profissional à nova realidade ou espera-se que seja tudo como antes?

fonte http://www.avidaquer.com.br/

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