19 de out. de 2013

O Sertão fabrica gente.

O Sertão fabrica gente. 
De Brasília
Para o Blog do Arretadinho

O sertão fabrica gente de coragem, determinada e generosa.
O sertanejo, antes de ser um forte, é um autônomo na arte de sobreviver. Ele ignora a adversidade da seca e disseca a vida com o que restou, enfrenta natureza de igual pra igual, não se intimida com o xique-xique, com os espinhos da unha de gato que cortam sua pele como navalha afiada.
O sertanejo campeia o gado fujão com a habilidade do dançarino e a eficiência do cirurgião, regendo seu cavalo como se estivesse à frente da sinfônica de Moscou.

O sertanejo tem pouco, mas sobra-lhe dignidade, a sabedoria dos monges e o "passeio socrático" de Frei Beto: "“Sócrates, filósofo grego, que morreu no ano 399 antes de Cristo, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores o assediavam, ele respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.”

O sertão fabrica gente de verdade, que não é hipócrita, que pensa o que diz, que mede o que tem e divide o que não tem.
O sertanejo sofre com a mesma intensidade que ama a vida, como nos versos de Paulinho Moska:

"Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte."

O sertanejo condensa o óbvio com a leveza da poesia e se descobre gente, segue em frente, com alegria.

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